sábado, 31 de março de 2007

Os Inocentes



O senhor José Manuel era o treinador da equipa. Já com umas boas centenas de jogos à frente da equipa era o timoneiro que ia conseguindo levar o barco ao seu destino. Era o profissionalismo e o homem de palavra em pessoa. Propostas foram muitas, feitas por uns que lhe prometiam mundos e fundos, outros que não prometiam tanto mas que gostariam de contar com ele. Todos eles receberam e tiveram de se contentar com um redondo não. Por uma vez se viu tentado a aceitar uma de um escalão superior, mas ao medir os prós e os contras a primeira coluna elevou-se como uma pena. A família vinha sempre em primeiro lugar. Era carpinteiro de profissão. Aprendeu a trabalhar a madeira juntamente com o seu pai na oficina quase centenária que ainda continua todos os dias a funcionar. Apenas até às cinco da tarde, porque depois a troco de alguns trocos, dirigia-se às instalações de futebol local. Era a sua vida. Era a sua terra natal. Eram os seus amigos. Era a sua família. Era ali que se sentia bem. Para quê procurar outro lugar? Conhecia todos os jogadores mesmo antes de começarem a dar pontapés numa bola, mesmo antes de começarem a ir para a escola. Os seus pais quase todos tinham sido seus colegas, ou na escola ou na equipa quando jovem. E a sua ausência durante dez anos para jogar em escalões superiores e outros dez como treinador não afectaram estas amizades. Depois de conhecer bem a realidade do mundo do futebol voltou para a sua terra natal e de lá não mais saiu. Era respeitado por todos até o presidente não tinha coragem de o mandar calar quando por vezes, nas festas municipais, bebia um copo a mais. O que dizia era a realidade e vinda de uma pessoa experiente eram palavras sagradas… “…a nível regional é impossível manter um clube sem ajudas financeiras. É verdade! A publicidade, não tendo a visibilidade nem a projecção nacional não é muito produtiva e muita das vezes os acordos, sim porque por vezes os contratos não são celebrados pelas partes, nem sempre são cumpridos. A venda de bilhetes é uma fonte de receita e não passa disso, raramente (em muitos clubes regionais) é suficiente para pagar à equipa de arbitragem e ao destacamento da Guarda Nacional Republicana. E estamos a falar no escalão sénior, pois nos restantes nem vale a pela cobrar a entrada. Assim se as câmaras Municipais fecham a torneira, mesmo que seja para metade, de um momento para o outro, são os jovens os principais visados. Também é verdade que alguns clubes gastam o dinheiro mal gasto. Muitas propostas acima das possibilidades, promessas e aliciamentos a jogadores que escassas vezes se cumprem. Muitos deles são geridos por pseudo-dirigentes, percebem de tudo menos de contrabalançar a gestão desportiva com a gestão financeira de forma positiva. E o pior é estarem desprovidos de uma cultura desportiva que apenas dignifique o desporto e não que o torne cada vez mais vulgar. Estando no topo da hierarquia do clube deveriam realizar o papel de Big Brother, não apenas como vigilantes e controladores, mas principalmente como exemplo a seguir com atitudes sérias, honestas, responsáveis…” e continuava até se cansar, e a plateia não o interrompia, deliciavam-se com as suas opiniões. Mas isso é outra conversa que iria dar pano para mangas ou muita tinta neste caso!

sexta-feira, 30 de março de 2007

O Trigo e o Joio


Reparo que o Partido Nacional Reformador (PNR) tem nos últimos tempos alterado a sua linha condutora de actuação. Está cada vez menos tímido e cada vez mais atrevido. Por força do estado da Nação, cada vez temos mais estrangeiros entre nós e como não é feito nenhum controlo temos recebido o trigo e também o joio de muitas culturas, primeiramente de África, de alguns tempos para cá da Europa de Leste e agora da América Latina (Brasil). É verdade que muito do trigo que entra no espaço dito português se torna em joio, pois com os problemas económicos que possuímos, não há o trabalho desejado para todos. E a "necessidade aguça o engenho", sendo criados alguns grupos organizados, ou não, destabilizadores da ordem.

Compreendo a indignação de muitos destes partidários, e concordo que queiram manifestar as suas ideias, os seus pontos de vista, que queiram alertar o país e até certo ponto acordá-lo. O que não compreendo é como pretendem fazer a selecção dos imigrantes tipo "simpáticos" dos imigrantes prevaricadores? Se em toda a propaganda que manifestam generalizam o imigrante! Este é o maior erro. Com esta generalização como é possível um bom trabalhador emigrante ser reconhecido como tal se está marcado por campanhas xenófobas? Os nossos imigrantes não merecem isto! Se fizessem um estudo acredito que perto de 100% destes partidários possuem familiares espalhados pelos 5 continentes.
Agora o que não tolero de forma alguma é quando esta barreira é ultrapassada. Quando se passa para a acção propriamente dita! Isto é quando se tornam em justiceiros e à força tentam inculcar as suas ideias, ou à força impor ordem. Assim qual é o trigo e qual é o joio?

Fiquem com esta ideia: Será que amanhã não necessitaremos de sair do nosso jardim à beira mar plantado para satisfazer os nossos sonhos!

Deus vs Homem


Como primeira ideia deste espaço de reflexão gostaria de falar um pouco sobre a minha relação com o ser superior, que muitas pessoas veneram, escolhendo como forma de vida a sua adoração e seguir/ou tentar seguir os seus ensinamentos. Respeito esta forma de vida, aliás, respeito toda a maneira de estar que faça as pessoas sentirem-se realizadas desde que respeitem também as realizações do outro.

Condeno fanatismos em toda e qualquer vertente: Religiosos, julgo que não vale a pena dissecar esta questão tão badalada nos dias de hoje, mas atenção! Responder na mesma moeda não torna as pessoas diferentes...; Desportivos, neste caso deparamo-nos quase todos os fins-de-semana com situações lamentáveis, por vezes as confrontações são saudáveis (isto quando se conhecem os limites do bom-senso). Certas relações clubisticas são levadas ao extremo o que não dignificam as emoções emanadas a qualquer apreciador; Partidários, aqui para mim é-me complicado compreender como é que quando os governos apresentam as suas propostas relativas a qualquer situação, muitas vezes - o que acontece quase sempre - todos os seus deputados na Assembleia da República estão a favor, não havendo ninguém a pensar de maneira diferente, e os partidos de oposição, salvo excepções, estão todos contra, mais uma vez o conceito de máquinas automáticas prevalece; Amorosos, sim, porque o que não falta no mundo são acções loucas que se fazem por amor e que no fim têm repercussões desastrosas... Podia continuar com outros exemplos, porém julgo que a ideia de que "o que é de mais também enjoa" está passada.

Eu acredito no Homem! Compreendo que esta ideia seja difícil de compreender, mas continuo a acreditar. Todos os nossos problemas, de raças, religiosos, saúde, ambiente, conflitos, guerras..., só podem ser ultrapassados de uma forma. Digam o que disserem não é a Divina Providência que os irá resolver, também não será um homem só que os resolverá, se bem que alguns têm nas suas mãos a chave que poderá fechar ou abrir as portas consoante a direcção que deveriam tomar. Por vezes fecham as que deviam abrir ou abrem as que deviam fechar! No entanto este homem, único, em conjunto com outros pode e deve arranjar soluções para que o mundo seja um melhor para todos sem distinções. Temos de acreditar em nós próprios. No bem que podemos realizar no dia-a-dia. Não é muito complicado, por vezes basta um olhar, uma palavra de apreço, de força, de conivência para que esse outro encara o dia, a vida de forma diferente. E meus amigos são as pequenas coisas que se fazem que podem evitar grandes males. É por isso que acredito que está no Homem a chave de todos os problemas.