sexta-feira, 21 de agosto de 2009

E se dúvidas houvesse!!!

O fundador e nove membros da IURD são acusados de usar dinheiro dos fiéis

Era sempre assim. Quando a música baixava e os apelos do pastor deixavam de se ouvir, os fiéis levantavam os joelhos do chão para depositar o dinheiro no altar. Lá fora, as dúvidas permaneciam. Durante 32 anos, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) rejeitou todas as suspeitas de corrupção, mas elas nunca desapareceram. Agora colaram-se à instituição para sempre. O Ministério Público de São Paulo acusou o fundador, Edir Macedo, e outros nove membros de associação criminosa e lavagem de dinheiro.

As três décadas de história da IURD contam-se com somas milionárias, multidões de fiéis, discursos inflamados e, sobretudo, suspeitas. Logo em 1977, uma inspecção da Receita Federal sugere que a igreja deve perder a imunidade fiscal porque está a ser usada para ganhar dinheiro - segundo a Constituição do país, o património e as fontes de rendimento das igrejas só podem ser utilizados para actividades religiosas e nunca para a obtenção de lucro. Uma década depois, a mesma instituição elabora um estudo para regulamentar as doações de dinheiro relacionadas com a fé. A proposta nunca foi aprovada.

O VÍDEO DO DÍZIMO Outras dúvidas são levantadas quando, em 1995, Edir Macedo surge num vídeo a ensinar aos pastores como pedir dinheiro aos crentes. "Se você se mostrar chocho, o povo não confia em você. Você tem de falar como se fosse o super-herói do povo. Peça, peça... Se houver alguém que não dê, há um montão que vai dar", explicava com uma exuberante coreografia de braços.

Desde que o vídeo foi divulgado, a instituição foi exaustivamente investigada, mas pouquíssimas irregularidades ficaram provadas nos dez processos que foram instaurados.

O Código Penal brasileiro não inclui práticas religiosas. Se alguém quiser doar todo o seu património à igreja, tem toda a liberdade para o fazer. Assim, para condenar os líderes da igreja, um objectivo era fundamental: provar que o dinheiro doado estava a enriquecer os líderes da igreja e não a financiar obras de caridade.

Era preciso descobrir o percurso do dinheiro desde que saía dos bolsos dos crentes até ser usado para pagar a construção de uma mansão de 6000 m2 (como a construída por Edir Macedo em 2007). É isto que, após dois anos de investigação, os procuradores acabam de conseguir. Entre 2001 e 2008, a IURD recebeu mais de 3 mil milhões de euros doados pelos seus 8 milhões de seguidores. Metade do dinheiro foi colocado na caixa do dízimo dos templos, a outra metade chegou através de 4015 transferências bancárias. Nenhum deste dinheiro pagou impostos.

EMPRESAS FANTASMA Alguns destes milhões foram depois utilizados em pagamentos a duas empresas-fantasma: a Cremo Empreendimentos e a Unimetro Empreendimentos. Só em 2004 e 2005, estas empresas (que não prestam um único serviço) movimentaram 27 milhões de euros, garantiu à revista "Veja" fonte da Secretaria da Fazenda.

A paragem seguinte destes milhões eram duas empresas sedeadas em paraísos fiscais nas ilhas Caimão e nas do Canal (a Investholding e a Cableinvest). Sob a forma de empréstimos a executivos da IURD, o capital regressava depois à terra natal para ser aplicado na compra de aviões particulares (como um Cessna de 1 milhão de euros), mansões ou para ser investido no império que a igreja construiu na comunicação social - 22 canais de televisão e 42 estações de rádio.

Edir Macedo é hoje dono de 90% da Rede Record (a mulher possui os outros 10%), que foi comprada em 1992 por 20 milhões de dólares. Além disso, tem dois apartamentos de luxo na sofisticada Collins Avenue, em Miami. Um foi comprado por 1,5 milhões de euros e o outro por 3,3 milhões. Em 2007 construiu uma enorme mansão de 2000 m2 em São Paulo, em Campos Jordão. É lá que parte do tesouro da IURD estará enterrado.

In ionline, por: Alexandre Soares, Publicado em 21 de Agosto de 2009.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Os verdadeiros Tomb Ryders


No séc. XVIII, Edimburgo era um dos maiores centros de estudos anatómicos. Muito se deveu ao Dr. Robert Knox que privilegiava o estudo prático em corpos humanos verdadeiros. Era alimentado pelos cadaveres dos condenados à morte. No entanto a "oferta" não era a suficiente sendo que o pagamento por cada cadaver era aliciante, para que os seus alunos pudessem desenvolver as suas capacidades da forma mais realista possível.

Não havendo matéria prima suficiente começaram a surgir verdadeiros tomb ryders que exumavam os corpos logo após a sepultura e os vendiam. Rapidamente os familiares dos defuntos formaram milícias para vigiar os cemitérios e os corpos para estudo voltaram a escassear.

Até que dois irlandeses, William Hare e William Burke, se lembraram de nutrir a anatomia com corpos de pessoas saudáveis. Para não se levantarem suspeitas da causa da morte, as vítimas eram embriagadas com whisky e depois asfixiadas de forma a não deixarem vestígios. Depois de 16 vítimas foram capturados e condenados. Também Knox, vítima ou não, caíu em desgraça bem como o seu curso de anatomia.

Tudo isto foi possível pois não havia na altura nenhuma legislação relacionada com o uso de cadaveres para estudo da anatomia.

Em 1832, no seguimento destes actos macabros, surge o Anatomy Act, promulgado pelo Parlamento Britânico, segundo o qual passou a ser permitido o uso de cadaveres não reclamados pelos familiares para o ensino da anatomia.

Este princípio ainda vigora em muitas sociedades.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

William Walace


Por estes dias fiquei a conhecer uma civilização nova. Não nova no sentido de ter surgido ou que tenha sido descoberta recentemente, mas no sentido de que não me recordava de alguma vez ter ouvido falar sobre ela. Os Picts foram os ascendentes dos Escoceses. Antes da Independência da Escócia, que aconteceu em 1320, as terras altas eram habitadas por estas tribos. Por esta altura, uns anos antes, William Walace conseguira unir algumas destas tribos para expulsar os ingleses que a pouco e pouco iam subindo para norte. O Gigante Cavaleiro Walace e mais tarde o seu sucessor e futuramente Rei da Escócia Robert The Bruce conseguem fazer ver aos Ingleses que não conseguiriam combater em 2 frentes e ter sucesso, pois a sul os franceses estavam determinados em reclamar todo este território como seu. Assim foi conseguida a independência da Escócia.

O filme Braveheart, realizado e protagonizado por Mel Gibson, imortaliza através do cinema este passado. Há algumas imprecisões neste filme, como as há em praticamente todos os filmes históricos. As mais notadas são o facto de William Walace ser de uma enorme estatura com cerca de 2 metros de altura, naqueles tempos acreditem que era muito mesmo. Os trajes que vestia no fime não condiziam com a sua posição pois William era um Cavaleiro e usava sempre armadura. Por outro lado a Princesa francesa Isabella, que no filme se apaixona por William, não teria mais de 15 anos na altura. Também não há indícios de pintarem a cara na altura mas sim muitos e muitos anos antes quando os Vikings passaram pelas Highlands.

Uma última curiosidade sobre o filme, William Walace foi traido por um dos seus numa taverna em Royston (agora parte de Glasgow) e foi condenado e executado de forma atroz em Londres, o Cavaleiro em causa era Sir John De Menteith. Não sei se alguma vez se questionaram porque é que os lagos na Escócia são designados por Loch e não por Lake, Loch em Gaélico significa Lake em Inglês, e os Escoceses orgulhosos das suas origens não querem perder a sua lingua ancestral e continuam a utilizar o Gaélico diariamente. Mas há uma excepção curiosa, o lago Menteith é o único que é designado como Lake Menteith como forma de repúdia e desonra à traição de Sir Jonh de Menteith sobre William.

O Guia Turístico e o Condutor

Há alguns dias atrás estive em Edimburgo a passar alguns dias das minhas férias. Foram 3 dias bem passados. Tenho um primo que de momento se encontra neste chuvosa cidade (são raros os dias do ano em que não chove) a realizar o Doutoramente e foi bastante prestável e amigo como um bom Beirão que se preze. Bruno não sei como te agradecer! Pela disponibilidade e pela companhia sempre afável! Se algum dia precisares de algo já sabes onde bater!

A cidade não é grande para uma capital, mas é maravilhosa! Como a maior parte das grandes capitais europeias também possui vários séculos de história. Em termos de habitantes possui menos de 500 mil habitantes o que é muito pouco se compararmos com Glasgow que possui cerca de um milhão e meio sem contar com os arredores e isto numa população total de cerca de 5 milhões de habitantes... é obra sem dúvida!

O transporte mais utilizado, dentro da cidade, nestes dias foi o dos sapatos. Como não tinhamos prometido nada a ninguém e ninguém dependia de nós, andámos, andámos e andámos mais um pouco!

Bem, mas o que pretendia primeiramente dar relevo nestas linhas era o passeio desenfreado que demos de autocarro durante um dia pelas Highlands em direcção ao Loch Ness. O Monstro por estes dias não se avistava por lá mas deixou-nos imensas recordações suas nas Gifts Stores a troco de algumas Libras. Há quem desconfie que é apenas um Mito! Mas para os comerciantes locais ele existe mesmo!

O Sr. Adrien, que como bom escocês usava orgulhosamente o seu magnífico kilt, e o Sr. Alex foram os nossos tutores durante esse dia. Fomos avisados assim que entrámos para o autocarro que se, no final do dia, a viagem não tiver valido a pena eles gostariam de ser recordados como John e Fred. Esta foi a primeira das muitas gargalhadas interiores que todos nós esboçamos.

Confesso que não me recordo de ter aprendido tanta coisa sobre história num só dia, durante os muitos anos de estudante. O que é pena! Mas também não me recordo de ter tido um docente de história tão sui generis como este escocês de kilt.

Sem dúvida alguma que estes 2 promotores locais serão sempre recordados na minha memória como Adrien e Alex!