
Tudo se move. Nada permanece perenemente no seu lugar. A rocha move-se com o vento, a água com a corrente, o homem com a mente, a vida com um sopro.
Ficar no mesmo lugar é não sentir. É não ouvir. É a indiferença pelo que se move, pelo que tem vida, pelo que segue o seu caminho. Nada nem ninguém pode ficar indiferente ao que nos reserva. Tudo o que sentimos está escrito no infinito, tudo é premeditado, mas ninguém consegue desvendar a força superior que tudo controla, que tudo subjuga e nos move como marionetas. Os cordelinhos podem ser fortes e firmes e desta forma conseguem superar a maior das tempestades, mas também podem ser fracos e suaves e voar com a leve brisa que por vezes se faz sentir durante o amanhecer.
O cenário em que nos movemos é compassado pelo som do efémero órgão da vida. Todo este palpitar é observado por entre a íris de todo o ser vivo. Os seres não vivos não possuem íris no entanto o seu palpitar é superior a qualquer outra das forças. A sua natureza é bem mais feroz e atroz que qualquer objecto desenvolvido pelo homem. Nada lhes consegue fazer frente nem nada se atreve.
É esta natureza que faz mover o mundo. Foi esta natureza, ou ser superior, como lhe queiram chamar, que lhe deu vida com um ligeiro sopro e um dia será esta, que da mesma forma, transformará toda esta matéria em triliões de grãos que areia levados pelo vento.

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