
No séc. XVIII, Edimburgo era um dos maiores centros de estudos anatómicos. Muito se deveu ao Dr. Robert Knox que privilegiava o estudo prático em corpos humanos verdadeiros. Era alimentado pelos cadaveres dos condenados à morte. No entanto a "oferta" não era a suficiente sendo que o pagamento por cada cadaver era aliciante, para que os seus alunos pudessem desenvolver as suas capacidades da forma mais realista possível.
Não havendo matéria prima suficiente começaram a surgir verdadeiros tomb ryders que exumavam os corpos logo após a sepultura e os vendiam. Rapidamente os familiares dos defuntos formaram milícias para vigiar os cemitérios e os corpos para estudo voltaram a escassear.
Até que dois irlandeses, William Hare e William Burke, se lembraram de nutrir a anatomia com corpos de pessoas saudáveis. Para não se levantarem suspeitas da causa da morte, as vítimas eram embriagadas com whisky e depois asfixiadas de forma a não deixarem vestígios. Depois de 16 vítimas foram capturados e condenados. Também Knox, vítima ou não, caíu em desgraça bem como o seu curso de anatomia.
Tudo isto foi possível pois não havia na altura nenhuma legislação relacionada com o uso de cadaveres para estudo da anatomia.
Em 1832, no seguimento destes actos macabros, surge o Anatomy Act, promulgado pelo Parlamento Britânico, segundo o qual passou a ser permitido o uso de cadaveres não reclamados pelos familiares para o ensino da anatomia.
Este princípio ainda vigora em muitas sociedades.

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