
Era uma vez um país à beira mar platando. Um país onde todos vivem a sua vida. Onde todos possuem um espaço que podem chamar de seu, pelo menos enquanto as instituições de crédito não reclamarem o que lhes pertence e que foi ganho arduamente. Rico em vontade e em inteligência. Todos sabem o que é melhor para o outro, assim como que uma espécie de tentativa de subjugação...
Além das inúmeras qualidades dos seres deste país há uma que é hunânime. É a da lamentação! Um bom e digno habitante deste país tem de saber lamentar-se, não essa lamentação tipo lamechas que ninguém liga mas uma lamentação que enche o olho. Que leve o outro a lamentar-se da nossa própria lamentação! Que o sensibilize ao ponto de lacrimejar. O mais engraçado é que essa lamentação cresce em proporção do respectivo poder. Só desta forma se consegue compreender como é que os afortunados estão cada vez mais afortunados!
O dia das lamentações começa bem cedo, ainda em sonhos! "Como é que foi possível aos Inspectores da Segurança e Higiéne no Trabalho passarem pela minha empresa a uma hora em que não estava para os receber?". Ao levantar, "como é que é possível eu ter de levar os miúdos à escola se tenho muito para fazer?", "como é que um empregado só fez isto se está provado que este trabalho se faz em muito menos tempo?", como é que o governo nos taxa a nós se somos nós que pomos este país a andar para a frente?", "como é que… como é que…"
Qualquer semelhança com a realidade é pura ficção!

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